Sempre-viva, ou chuveirinho, no Cerrado, Parque Estadual do Jalapão, Tocantins (© Caio Pederneiras/Getty Images)
Na estação seca, o capim perde o verde, a água se esconde e o calor reorganiza o Cerrado em torno da resistência. Mesmo assim, elas aparecem: hastes finas que terminam em esferas com dezenas de flores minúsculas, formando um “chuveirinho” quase geométrico — daí seu nome. Delicadíssimas, mas nada frágeis, chuveirinhos crescem onde muita coisa desistiria, suportando sol intenso, solo pobre, vento seco e queimadas frequentes. Costumam florescer entre o fim das chuvas e o avanço da seca, de março a julho, podendo ultrapassar dois metros e produzir centenas de flores numa única estrutura.
No Parque Estadual do Jalapão, no Tocantins, de onde vem a imagem de hoje, esse padrão se repete até virar uma tapeçaria de pontos claros no dourado seco, como se o chão fabricasse constelações. O apelido “sempre-viva” não é poesia gratuita: por manterem forma e cor mesmo depois de secas, são queridinhas em arranjos e artesanato. No Cerrado, um dos biomas mais antigos e exigentes do planeta, beleza raramente vem separada de estratégia.