A festa que veste memória A festa que veste memória
Começa o Festival de Parintins
Integrantes do Bloco Boi Faceiro na celebração do bumba-meu-boi, São Caetano de Odivelas, Pará (© Pedro Vilela/Stringer/Getty Images)
O Festival de Parintins começa com a pergunta: vermelho ou azul? A partir de hoje, esta pequena ilha no Amazonas vira centro de um duelo que não admite neutralidade. O Bumbódromo, uma arena em forma de cabeça de boi, se divide: de um lado, Garantido, vermelho. Do outro, Caprichoso, azul. Por três noites, a cidade borra a linha entre espetáculo e torcida.
A tradição mistura influências indígenas, africanas e europeias em torno de um enredo fantástico: um homem mata o boi do patrão para atender ao desejo da companheira. O dono exige reparação, a comunidade entra em cena e, entre ritos e invenção, o animal volta à vida. Em vez de punição, a tensão termina em festa.
Do Nordeste ao Norte, cada região adaptou a narrativa do seu jeito. No Maranhão, o bumba-meu-boi ocupa ruas e terreiros; no Pará, grupos como o Boi Faceiro, visto na imagem, percorrem bairros com encenações; no Amazonas, lendas locais ganham espaço. O Brasil, como sempre, escolhe muitas maneiras de contar o mesmo enredo.